terça-feira, 20 de março de 2012

Os 80 anos de Nam June Paik

No próximo mês de julho, se estivesse vivo, o artista sul-coreano Nam June Paik - morto em 2006 - completaria 80 anos. Considerado o pai da videoarte, Paik tornou-se mundialmente conhecido depois que exibiu sua "TV Magnet", na exposição Exposition of Music-Electronic Television, no início dos anos 1960. Sem aquele trabalho, a MTV talvez nunca existisse. Consistia basicamente em televisores espalhados pelo ambiente, cada qual com um ímã no topo, provocando distorções nas imagens.

Um dos principais nomes do Fluxos, movimento artistico "antiarte" - influenciado pelo Dadaísmo e pela Popart, e que consagrou Yoko Ono -, Paik criou, com sua "TV Magnet" uma nova forma de expressão artistica, substituindo a tela do quadro pela tela do aparelho de TV, e as tintas por imagens eletrônicas. Assim, o televisor ligado tornou-se um fim.

John Hanhardt, curador de arte e especialista em videoart, explica que o conceito de movimento, imagem temporal é a modalidade chave por meio do qual artistas articularam novas estratégicas e formas de produzir imagens. Assim, a finalidade da televisão é, senão outra, produzir imagens. E só. A imagem falando por si, na mesma linha de reflexão proposta pelo cineasta Peter Grenaway, para quem o cinema está morto, a não ser na forma tal qual o conhecemos. Para Greenaway, "tudo o que vimos até agora foram cento e tantos anos de texto ilustrado". Ou seja, literatura ilustrada. Afinal, "o cinema é sobre imagens, não sobre texto".

Olhando, portanto, para a obra de Paik, por que não duvidarmos se algum dia a televisão de fato existiu? O auxílio de narrativas - isto é, uma narração baseada na narrativa - subordina a imagem ao texto. Para Paik, a imagem era suprema. E a televisão, um instrumento performático. A imagem está, em sua obra, livre para ser realmente e puramente imagem, sem estabelecer, necessariamente, relações com aquilo que se configura como sua realidade exterior. Há uma função estética, mais importante que a função informativa. Trata-se de formar: sentido, contradição, incômodo, supra-realidade. E, por fim, uma crítica das aparências.

Ligar a TV e criticar o status quo, mas tendo como armas as próprias ferramentas limitantes desse status quo é, por fim, redundância.






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