sexta-feira, 13 de abril de 2012

O câmbio valorizado gera inflação, diz Nakano

O outro economista com quem conversei esta semana, para falar sobre a Selic, a inflação e a poupança, foi o Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo. A conversa foi lá na sala dele, e aproveitamos o material para também exibir algumas partes editadas no próximo programa Brasilianas.org, da TV Brasil.

Para Nakano, não apenas a indústria brasileira tem sofrido com a valorização do real. O processo de apreciação do câmbio também está contribuindo para o aumento da inflação, ao favorecer setores no tradables, principalmente o de serviços, que não sofrem concorrência direta e nem exportam. Diferente da indústria, que competem com os importados, e por isso são forçadas a reduzir os preços, é no setor de serviços que se verifica o motor da inflação.

Assim, Nakano avalia que os modelos de apreciação do câmbio e da taxa básica de juros, a Selic, já chegaram à exaustão. O motivo principal está no fato de não serem mais bons instrumentos para o controle da inflação.

Da mesma forma que a apreciação da moeda, no Brasil, está apenas transferindo o problema da inflação para o setor de serviços - e por isso não deve mais ser utilizada -, a taxa Selic deve ser abolida, uma vez que não se sustenta mais como sistema.


“É sobra de caixa, e não investimento o que o Banco Central tem que captar. Investimento tem que ser captado pelo Tesouro, no mercado de títulos de longo prazo, que não existe, pois o banco central não deixa criar. Então, é esse sistema que precisa ser mudado. Enquanto não mudar isso, a taxa de juros Selic vai cair, bater no máximo 8%. Abaixo disso, você vai criar uma confusão no mercado financeiro”.

Além disso, Nakano aponta que a Selic não tem mais efeito para o consumidor final. Para ele, o efeito está no câmbio, que atrai recursos especulativos. “Não importa se entra com o nome de investimento direto; entra no curto-prazo”, afirma.

Você confere a entrevista na íntegra, na qual o economista ainda fala sobre as mudanças na caderneta de poupança e as reduções das taxas da Caixa Econômica Federal e do banco do Brasil, no post no Blog do Luis Nassif, aqui.

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