sexta-feira, 27 de abril de 2012

Sobre a redução dos juros pelos bancos

Ontem entrevistei o vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal, Márcio Percival. Falamos, claro, sobre grande redução das taxas de juros promovida pelo banco este mês. Na mesma linha, o Banco do Brasil também abaixou os juros, e essas medidas forçaram os maiores bancos privados (Bradesco, Itaú-Unibanco, HSBC...) a também reduzirem seus juros. Essa ação, alertam economistas, já dá sinais concretos de que uma nova configuração da competição bancária entra em vigor. Tendo como alvo os altos (e absurdos) spreads bancários do país.

Mas uma resposta de Percival quero antecipar aqui no blog, antes da publicação da íntegra no Blog do Luis Nassif, na próxima segunda-feira. Foi quando questionei sobre os riscos de se facilitar o crédito e aumentar a inadimplência, principalmente entre os novos clientes e os "desbancarizados".

"Nossos modelos de risco estão muito atentos a qualquer variação de comportamento nos índices de inadimplência. Não daríamos crédito a qualquer custo. Não faremos populismo com a taxa de juros e crédito. Agora, faz parte do nosso programa de elevar o crédito também a contribuição para a educação financeira; ninguém tem interesse de ampliar o endividamento das famílias sem que elas tenham consciência do que elas estão fazendo, do risco que elas estão fazendo com o planejamento financeiro da família. Por isso é muito importante essa questão, cuja solução não é de uma única instituição, mas do conjunto dos agentes do setor financeiro. O Banco Central tem tido uma postura muito positiva com relação a isso; os bancos tem tido preocupação com isso, e a Caixa está contribuindo com esse tipo de coisa."

Ao menos no discusso, fiquei satisfeito com a resposta. Afinal, educação financeira é aquela coisa da qual os bancos e as agências de regulação norte-americanos se esqueceram (para não dizer que ignoraram), liberando o sistema de crédito de maneira irresponsável e contribuindo para a crise em 2008 e 2009.

O crédito é, inevitavelmente, fator inerente a qualquer economia capitalista, como a brasileira. É - pelo menos no sistema capitalista - de onde partem os grandes investimentos para obras de infraestrutura, as pesquisas em CT&I, por meio do financiamento, os pequenos empreendimentos e também o consumo. E neste último caso, a população brasileira tem crescido bastante. O mercado interno é hoje tão atrativo para países fragilizados pela crise na Europa justamente porque tem condições de comprar, financiar um carro, uma geladeira. O poder aquisitivo depende do crédito, portanto.

No entanto, esse oba-oba de redução dos juros - justa e corretamente comemorada - não deve perder de vista o horizonte da regulação, do controle. Conceder crédito mais fácil deve implicar, por parte dos bancos, numa ação direta de divulgação sobre educação financeira na mídia, tão estridente quanto foi esta publicidade em torno da redução.

Fora isso, entramos, sim, em nova etapa da economia. Vamos acompanhar os próximos passos.

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