terça-feira, 24 de abril de 2012

Usuários de cocaína envelhecem mais rápido, diz estudo

Mais uma razão para não consumir cocaína: ela ajuda a acelerar o processo de envelhecimento, diz reportagem de Elizabeth Norton, publicada hoje no site da revista Science.
Um estudo realizado na Universidade de Cambridge revelou que pessoas que consumiram a droga quando tinham 30 e 40 anos de idade apresentaram alterações cerebrais mais comuns aos 60 anos. Conforme diz a reportagem, a descoberta também chama atenção para tratamentos médicos especiais para usuários mais antigos da cocaína. Um grupo que, atém o momento, não recebe muita atenção por parte da saúde pública, uma vez que o foco está nos jovens.
Segundo a neurocientista Karen Ersche, de Cambridge, o abuso de drogas é tipicamente considerado um problema dos mais jovens. Contudo, como se observou na pesquisa, aqueles que chegaram à terceira idade, e foram usuários, envelheceram precocemente.
As evidências são perda de memória, aumento de chance para contrair infecções, e taxas mais altas de problemas cardiovasculares – isso em pessoas de meia-idade.
Usuários de cocaína também apresentam déficit em atividades que envolvem uma área do cérebro chamada “córtex pré-frontal”, responsável pela memória, atenção e tempo de reação.
Pelo fato de ser comum ver pessoas mais velhas com sintomas desse tipo, Ersche questionou se a exposição crônica à cocaína acelera essas mudanças no cérebro.
Para investigar, o grupo de pesquisa de Ersche estudou 120 pessoas com idades entre 18 e 50 anos. Aproximadamente metade preencheram os critérios para dependência de cocaína: uso da droga durante 10 anos e deveriam ter a cocaína no sangue no dia do exame de urina. Os outros participantes não tinham histórico de uso de drogas, nem de problemas psiquiátricos. Depois todos passaram por exames de ressonância magnética e análises com software capaz de revelar diferenças no volume da estrutura cerebral.
O resultado foi que os usuários de cocaína apresentaram taxa de encolhimento do cérebro quase que o dobro quando comparado com os não usuários. Encolhimento do cérebro é normal com o passar dos anos, mas no caso dos usuários de cocaína o processo foi acelerado.
Ou seja, além dos mais jovens usuários, a medicina terá que correr atrás para buscar tratamentos para os dependentes mais velhos. Isso implica ampliação dos programas e políticas públicas de drogas. Pois, além da prevenção, há de se lembrar dos que já entraram nesse barco furado.
A matéria completa, em inglês, pode ser lida aqui.

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