segunda-feira, 21 de maio de 2012

Instituições de violência

Num hospital psiquiátrico, duas pessoas estão estendidas sobre o mesmo leito. Quando há problema de falta de espaço, aproveita-se o mesmo leito. Quando há problema de falta de espaço, aproveita-se o fato de que os catatônicos não se incomodam um ao outropara sistematicamente colocar dois na mesma.

Numa escola o professor de desenho rasga a folha onde um garoto desenhou um cisne do qual se veem as pata, dizendo: "Os cisnes são bonitos sobre a água".

Num jardim de infância as criançs são obrigadas a ficar sentadas sem falar, enquanto a professora faz seu tricozinho depois de ameaçá-las de ter que ficar com os braças levantados durante horas a fio - o que é muito doloroso - se se moverem, conversarem ou fizerem qualquer outra coisa que atrapalhe a professora e seu trabalho.

Um doente internado num hospital público - a não ser que tenha entrado como cliente particular, em quarto privado - será certamente vítima das variações de humor do médico, que pode descarregar sobre ele uma agressividade que o doente absolutamente não provocou.

Num hospítal psicquiátrico os doentes "agitados" são submetidos ao "garrote". Quem não conhece o ambiente do manicômio não sabe do que se trata: é um sistema muito rudimentar, utilizado praticamente por toda parte, para fazer com que o doente desmaie através da sufocação. Joga-se um lençol sobre a sua cabeça, em geral molhado para que nõ possa respirar, que depois se torce com força em torno do pescoço. Ele perde imediatamente os sentidos.

Trecho do livro A nstituição Negada (1968), de Franco Basaglia.

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