segunda-feira, 28 de maio de 2012

Jornalista processando jornalista: como julgar?

Conversei agora pouco com o juiz Carlos Henrique Abrão, do Tribunal de Justiça de São Paulo, respónsável por julgar processos envolvendo grandes grupos de mídia.

Segundo Abrão, o Direito está bem preparado para se debruçar sobre questões envolvendo crimes cometidos pela imprensa. Há inúmeros critérios que permitem distinguir o que é imprensa livre e imprensa marrom.

Abrão me contou algo interessante: a maioria dos processos é entre jornalistas. Um jornalista processando outro, exigindo direito de resposta. Segundo o juiz, isso é um dos obstáculos enfrentados pela Justiça, pois como geralmente são dois jornalistas no embate processual, fica difícil atingir o fato em si, ou seja, onde nasceu o fato.

Para isso, o juiz recorre à Internet, para buscar a verdade do fato tratado pelos jornalistas.

Pois em cada caso você tem o jornalista A processando o jornalista B, cada qual com um versão dos fatos. Quem está falando a verdade? Quem está gerando apenas crítica combativa, ideológica? Quem detém o fato verdadeiros e quem é apenas mero reprodutor de denúncias falsas, com a única finalidade de "assassinar" a reputação do outro jornalista?

Um dos desafios do Direito, diante dos crimes de imprensa, será, daqui pra frente, saber identificar qual o cerne do problema em questão. Com muitos sub-fatos que surgem em cada briga na Justiça, cabe ao juiz saber separar realidade de ficção.

Em tempos de Veja como organização criminosa, a briga entre jornalistas aumentará, e a Justiça está se preparando para isso.

2 comentários:

  1. Bruno
    Belo blog. Estarei sempre visitando, já o coloquei nos meus favoritos.
    Parabéns pela iniciativa.
    Adorei o Post "A manutenção da dependência por meio da Ciência"

    ResponderExcluir