sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sem representação continental desde 2011, Embrapa deve focar no leste da África, diz ex-coordenador

Na terça, postei aqui no blog um texto falando sobre o posicionamento diplomático e comercial do Brasil na África. Foram expostas as visões de representantes do Itamaraty, Embrapa e Câmara de Comércio Afro-Brasileira.

Hoje, publico entrevista que fiz este semana com o engenheiro agrônomo Leovegildo Lopes de Matos, que coordenou o escritório da Embrapa na África durante dois anos, desde 2010. Há apenas um mês fora do cargo, Leo, como é conhecido,conversou comigo sobre a experiência enquanto comandava a base africana da empresa, os desafios das cooperações técnicas, em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e os próximos escritórios que devem ser abertos em breve.

Desde que retornou de Gana, no ano passado, sua posição sobre o continente africano tem sido no sentido de aproximá-lo ainda mais do Brasil. A missão deve consolidar o principal alicerce que sustenta essa relação desde 2006, ano em que a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) instalou seu escritório naquele país: o know-how do Brasil na agropecuária.
 
Leovegildo explicou também os motivos da mudança da Embrapa-África para Embrapa-Gana. Desde o ano passado, a empresa não possui mais representação continental. “Não caberia à Embrapa mudar isto, apenas ao governo federal, pois é um programa de governo, e não uma iniciativa isolada da Embrapa”. Agora, deverá expandir atividades para o leste africano, buscando novos mercados para o leite que é produzido em Gana.

Para a ler a entrevista completa, que publiquei hoje no Blog do Luis Nassif, clique aqui.
Confira um trecho abaixo, sobre o cultivo de cana-de-açúcar na África, para e expansão agrícola brasileira e os biocombustíveis.


 
Como que a Embrapa trabalha essa questão de inserir culturas que, a princípio, não são próprias de uma determinada região? Isso não implica questão inclusive sociais no local?
Para essa questão nós vamos com muito mais cuidado. Normalmente, a ABC (Agência Brasileira de Cooperação) trabalha sob demanda, nós atendemos a demanda desses governos locais. A única coisa que nós introduzimos, e que não está dentro da cultura agrícola tradicional deles, é cana-de-açúcar, pois queremos desenvolver o etanol como uma commodity energética mundial. Muitos países não tem o hábito de cultivar cana-de-açúcar no nível comercial, e nós tentamos introduzir e trabalhar o material de cana que já temos na região ou levar do Brasil.
Mas além disso, essa questão da cana está relacionada à contrapartida que o Brasil espera ter com esses investimentos na África, que é a expansão agrícola. 
Exato, mas a idéia principal é a seguinte; vou dar um exemplo concreto. A Etiópia importa 100% da gasolina que eles consomem. Há quatro anos, eles acreditaram na possibilidade de trabalhar com a cana-de-açúcar e com o etanol, para colocar como mistura na própria gasolina. Na Etiópia foi mais fácil, pois eles já tinham duas grandes usinas de açúcar, e agora já são cinco. E elas se diversificaram: dependendo do mercado, uma porcentagem maior ou menor vai para o açúcar ou para o álcool. Eles passaram, então, a economizar.
Ou seja, a Embrapa identifica esses países que tem demanda de produção de etanol e passa o know-how de produção?
Exatamente. E agora nós nem podemos falar mais que é a Embrapa [que faz essa identificação], porque a Fundação Getúlio Vargas (FGV) manda um time para esses países e eles fazem o primeiro levantamento de viabilidade técnico-econômica. Quando é possível atuarmos junto com a FGV, nós atuamos. Quando não, eles vão primeiro e nós entramos posteriormente. É uma parceria específica para essa questão do etanol, e não só para a África.
São jovens agrônomos e engenheiros florestais, que vão pelo interior dos países, coletando amostras de solo, informações metereológicas, dados econômicos e conversando com as autoridades. Se os governos desses países decidem partir para a segunda etapa, começamos o plantio de cana, planejamento de infraestrutura etc.





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