segunda-feira, 25 de junho de 2012

O perdão de deus e a criminalidade: alguma relação?

O medo de condenações longas, eternas ou até de morte podem contribuir para o a diminuição das taxas de criminalidade em uma população? Bem, talvez. Alguém que pensa em cometer um homicídio pode pensar duas vezes se o crime valerá a pena, uma vez que - não digo no Brasil - pode passar o resto dos dias por trás das grades. Mas isso varia muito de sociedade para sociedade, dependendo de leis locais.

A pergunta mais instigante vem a seguir. A crença num paraíso e no perdão de deus podem encorajar a prática de crimes?

A resposta é sim, concluiu um estudo na Universidade de Oregon, Estados Unidos. O autor da pesquisa, Azim Shariff, e seus colegas, compararam dados sobre a crença que as pessoas tem em vida após a morte com informações globais sobre crime do Escritório das Nações unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC).

O grupo analisou os dados relativos à crença de 143 mil pessoas, em 67 países, e de uma variedade religiosa considerável.

Na maioria dos países verificados, os indivíduos relataram crença maior no paraíso do que no inferno. Com essa informação, os pesquisadores calcularam o grau com que a taxa de crença no "céu" ultrapassa a taxa de crença no inferno.

Batendo os dados, o estudo verificou que os índices nacionais de crime estavam tipicamente maiores em países com fortes crenças no paraíso bíblico e pouca crença no inferno.

A explicação de Shariff é que acreditar em um deus que sempre perdoa cria, no indivíduo crente, uma "licença" para acreditar que ele pode fazer o que bem entender - uma vez que após o ato será perdoado por uma entidade benevolente.

No entanto, o pesquisador salientou que a conclusão é especulativa, e os resultados não implicam, necessariamente, numa causalidade entre taxa criminal e fé. Ou seja, não é porque alguém é crente fervoroso em deus, o no poder do perdão eterno, que irá sair por aí degolando pessoas.

Richard Sosis, outro pesquisador, mas da universidade de Connecticut, diz que, mesmo assim, há um número razoável de possíveis relações causais entre as informações coletadas. Para ele, a mais provável interpretação é que há variáveis em cada nível da sociedade. Sociedades podem ter valores que são igualmente refletidos nos seus sistemas jurídicos e religiosos, por exemplo.






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