terça-feira, 17 de julho de 2012

Celso Furtado e o não-econômico

Ao estabelecer a significação do não-econômico nas cadeias de decisões que levam à transformação dos conjuntos econômicos complexos, a teoria do desenvolvimento encarrega-se de pôr a descoberto suas próprias limitações como instrumento de previsão. Na medida em que o não-econômico traduz a capacidade do homem para criar a história e inovar, no sentido mais fundamental, a previsão econômica tem necessariamente que limitar-se a estabelecer um campo de possibilidades, cujas fronteiras perdem rapidamente nitidez com a ampliação do horizonte temporal. Sem dúvida, esse campo se amplia com a elevação do nível de racionalidade das decisões econômicas. Se a esse maior campo de possibilidades corresponde espaço mais amplo para a ação coletiva, é problema ao qual quiçá a psicologia social possa algum dia dar resposta.

Celso Furtado, em Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico (6ª Edição, 1977), Prefácio à Edição francesa.

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