quarta-feira, 18 de julho de 2012

Núcleo de Bionanotecnologia do IPT começa a apoiar projetos com Embrapii

Metrotomografia de raios X no novo núcleo de Bionanotecnologia
Na última segunda-feira (16), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) inaugurou oficialmente seu Núcleo de Bionanomanufatura, na Universidade de São Paulo (USP), durante evento que reuniu 150 pessoas, entre representantes da indústria e pesquisadores. O investimento da nova unidade de pesquisa avançada foi de R$ 80 milhões, sendo R$ 50 mi do Governo do Estado de São Paulo, para infraestrutura e equipamentos, e R$ 30 mi do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), para custeio dos projetos que serão contratados pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Firmada em 2011, numa parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o MCTI e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Embrapii tem o objetivo de fomentar projetos de cooperação entre empresas nacionais e instituições de pesquisa e desenvolvimento para a geração de produtos e processos inovadores. Na primeira etapa, foi estabelecida uma ação piloto com o IPT, o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia do SENAI e o Instituto Nacional de Tecnologia (INT).

O IPT será responsável pelas áreas de bionanotecnologia, nanotecnologia, microtecnologia e metrologia de ultraprecisão. O SENAI cuidará de automação e manufatura, e o INT participa nos setores de energia e saúde. O projeto-piloto terá duração de 18 meses e investimentos de R$ 90 milhões.

Durante uma pausa para o almoço, antes do evento ser retomado, o diretor presidente do IPT, João Fernando Gomes de Oliveira, falou ao Blog sobre como a parceria IPT-Embrapii poderá ajudar no processo de inovação das empresas e quais as perspectivas da nanotecnologia diante dos problemas enfrentados pela indústria brasileira. Confira.

Como se deu essa articulação do IPT com a Embrapii?
João Fernando Gomes de Oliveira - A iniciativa da Embrapii surgiu do MCTI, no sentido de ter uma estrutura de fomento que pudesse pegar ideias e ajudasse a financiar a adequação de ideias para produtos e processos, como funciona o [Instituto] Fraunhofer, na Alemanha, [que possui centros de inovação e desenvolveu metodologia para avaliação dos processos inovativos]. O MCTI montou um grupo de trabalho para a organização. No meio do caminho surgiu a ideia de fazer um piloto. Sempre que você faz uma pesquisa, para implementar na prática, você faz um teste. Ao invés de inventar um modelo que pode não dar certo, fizemos um piloto. Pegamos instituições, no Brasil, que estão acostumadas a lidar com empresas, por exemplo o IPT e o INT, no Rio de Janeiro. E começamos a olhar para vários modelos organizacionais, de gorvernaça e de estrutura jurídica - o INT é uma autarquia Estadual, o IPT é de capital misto com o Estado de São Paulo, e o SENAI, de serviço social autônomo.

Instituições híbridas, que são acadêmicas e diretamente voltadas para o mercado.
Sim, centros de pesquisa que lidam com a indústria. Porque o problema de você criar um modelo novo é que a figura jurídica pode influenciar nesse modelo. Então, eu tenho uma empresa, que é o IPT, eu tenho uma autarquia, tenho um serviço autônomo. Nesse processo, o próprio ministério selecionou esses três, e fico feliz de participar desse piloto. E a ideia foi trabalhar, durante oito meses, com esse piloto, e as regras são: primeiro, precisa ter um pedaço da universidade, não o todo. Aqui no IPT, estávamos começando a fazer um grande investimento em nanotecnologia, com o novo laboratório, e essa possibilidade de ter um aporte federal; aí a proposta foi que a nossa iniciativa, com a Embrapii, fosse em bionanotecnologia.

O governo federal está dedicado a apoiar a indústria brasileira, que passa por processo de desindustrialização crescente. São diversas medidas que tem sido lançadas, dentro do programa Brasil Maior. Ainda assim, nos últimos meses, mesmo com medidas relacionadas a IPI, juros e crédito, a indústria não registrou crescimento. Com essas iniciativas da Embrapii, em alta tecnologia, não estamos falando de um mundo ainda um pouco distante da realidade da indústria brasileira?
A gente acredita que esse tipo de iniciativa é um pouco imune [aos problemas da indústria]. Se estivessemos montando um grande centro de eletrônica, iriamos arrebentar, sim. Mas dentro da nossa estratégia, consideramos investimentos em P&D e inovação em áreas que tem perspectiva de sucesso no Brasil. Não é a indústria brasileira que está se arrebentando, mas sim aqueles setores que, ao competir com o preço chinês, eles se arrebentam, porque você não consegue estabelecer uma margem com a nossa carga tributária e todos os problemas que temos do Custo Brasil diante de um preço menor que o seu. Mas esse nosso setor é altamente tecnológico e inovador, ninguém está usando.

Mas para investir em nanotecnologia o Brasil ainda depende de muita tecnologia externa?
Nano é uma área que está começando. Então, construção civil com nano, indústria do petróleo com nano, pode-se potencializar esses setores, que já são fortes aqui. Então, nanotecnologia, especialmente eletrônica, dá para pegar desde o concreto, na construção civil, até proteção de duto de petróleo, até indústria química fina. E indústria química, no Brasil, não vai mal; indústria do petróleo não vai mal; construção civil vai bem. Em paralelo eu crio uma competência para a indústria eletroeletrônica, é como se fosse uma área que cruza tudo isso. É como uma automação, que é um negócio que se aplica em tudo, não é especificamente um setor.

Leia também no Blog do Luis Nassif.

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