sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A cultura da cooperação na ciência

Hoje pela pela assisti a uma conferência do bioquímico e editor-chefe da revista Science, Bruce Alberts, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Além de comandar uma das poucas revistas científicas de renome, Alberts é professor do Departamento de Bioquímica e Biofísica da Universidade da Califórnia em São Francisco e conselheiro do presidente Barack Obama. Foi, entre 1993 e 2005, presidente da Academia Nacional de Ciências (NAS) dos Estados Unidos.

O livro de Alberts de 1983
Conheço o nome de Alberts mais por sua atuação na Science do que como biofísico. E pude entender a importância que sua famosa obra de 1983, Molecular Biology of the Cell, tem no contexto acadêmico: ao fim do evento, um grupo de moças, com os grandes livros de capa vermelha nas mãos, cercou o cientista, pedindo autógrafos e fotos, na mais pura e descontrolada tietagem.

Mas o ponto que quero destacar da fala de Alberts é com relação a uma recomendação para estimular a nova ciência. Uma tend~encia, ao menos lá fora, é realizar workshops com 5 especialistas em algum tema. A esses especialistas, juntam-se outros 20, mas de áreas não diretamente atuantes sobre aquele objeto que se quer estudar. O resultado pode não dar em nada, mas as chances de que aqueles 20 de areas distintas contribuam com o grupo de 5 especialistas é alta. Daí, pode sair papers assinados pelos 25 pesquisadores, com visões inovadores sobre um fenômeno.

Para Alberts, além de focar nos jovens pesquisadores, as políticas de inovação devem promover a colisão entre ideias e pessoas. Colisão entre instituições, entre pesquisadores de áreas que, a princípio, não conversam entre si.

Trata-se de uma cultura da cooperação (Cooperative Culture), uma realidade em muitos centros de pesquisa no mundo.

Um exemplo dado por Alberts, num slide de sua apresentação, foi como ocorrem os processos de formação dessas parcerias. inicialmente, tem-se 5 faculdades que não conversam entre si, mas atuam em pesquisas que podem se complementar. Promove-se a "colisão" entre elas, com trocas de infomações, intercâmbios entre pesquisadores, conferências etc. Ao final dessa interação surgem 3 programas de pesquisa, sustentados por escolas diferentes. São programas inter-institucionais. Uma rede. Veja abaixo minha ilustração nem um pouco inovadora no Paint:

1 - Instituições de pesquisa isoladas 2 - Estabelece-se a relação entre elas 3 - Consolida-se vínculos e convênios, e surgem programas de pesquisa envolvendo muitos cientistas


Em breve, devo publicar uma entrevista com Alberts, sem data certa ainda.

Uma dica de Alberts: acessando http://www.nap.edu/catalog.php?record_id=12192 você pode baixar gratuitamente, em PDF, o On Being a Scientist: a Guide to Responsible Conduct in Research: Third Edition. E acessando http://beyonddiscovery.org/ você pode ver artigos que traçam avanços importantes da tecnologia e da medicina, ideal para entender como a ciência básica se desenvolve até ser aplicada no nosso cotidiano.






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