quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Jornalismo Científico e Desenvolvimento do Brasil, por Sérgio Mascarenhas


Recebi nesta quarta um e-mail especial do amigo Sérgio Mascarenhas, físico do Instituto de Estudos Avançados de São Carlos (IEA-USP/São Carlos) e professor visitantes de diversas universidades, como Havard e MIT. A mensagem encaminhava um artigo recém saído do forno, sobre o Jornalismo Científico e o Desenvolvimento do Brasil. Trata-se de uma honra reproduzir o pensamento de Mascarenhas aqui no blog: um cientista destacando a importância do jornalismo científica, área que estudo, para o desenvolvimento de uma nação. Ainda mais pelo fato de Mascarenhas ter me orientado nos últimos meses em relação aos rumos da minha pesquisa que se inicia. Publico, portanto, o texto logo abaixo.

JORNALISMO CIENTÍFICO E O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL

POR SERGIO MASCARENHAS 

Em pleno séc. XXI, o Brasil ainda enfrenta graves problemas frutos de um atraso cultural de 500 anos que nos foi legado como herança maldita pelos nossos colonizadores. A cultura e não apenas a educação é que determina se uma pessoa é um sujeito consciente é protagonista tanto de seu próprio destino e como parte de uma população dos destinos de seu agrupamento social , em qualquer nível : família, tribo, município, estado, nação ou bloco geopolítico no Mundo Globalizado. Nossa escravidão veio do assujeitamento a uma cultura anti-científica, não inovadora necessária para manter a estrutura social exploradora numa terrível sucessão: do meio ambiente físico-geográfico, da população indígena, dos escravos africanos e do próprio povo através de machismo, escravismo, dependência geopolítica quando até nossa independência foi comprada de nações mais ricas, com dívida não apenas econômica mas de conhecimentos científicos, tecnológicos e de inovação.

E o povo brasileiro tem sim a potencialidade criativa, entretanto mais fortemente expressa no futebol e carnaval. A distribuição da riqueza na população tem índices pífios, nossos índices de analfabetismo e de violência são enormes. Uma única universidade como a Rockefeller em Nova Iorque tem 26 prêmios Nobel, nossas melhores universidades nasceram em meados do séc. XX e não temos sequer um Nobel, enquanto a Univ. de Cambridge no Reino Unido cumpriu 800 anos e contribuiu com várias revoluções como a Newtoniana, Darwiniana, Nuclear, Quântica, da Genômica da própria Matemática e Lógica, da Astrofísica, da Filosofia e muitas outras! Penso ser claro que isso se deve à falta de conhecimento científico e tecnológico. No Mundo Globalizado Ciência, Tecnologia e Inovação são fatores de segurança nacional.

Quando foi fundada a SBPC (Sociedade Brasileira Pelo Progresso da Ciência), foi dado esse verdadeiro grito de independência e lá estava um de seus fundadores José Reis, não apenas cientista grande que foi, mas jornalista lutador e pioneiro da divulgação da ciência como a forma cultural faltante para nosso progresso. O Jornalismo científico passou então a ser essencial. O Brasil como que acordou para o novo caminho da ciência, tecnologia e inovação. Em Ribeirão Preto O Jornal A Cidade abraçou a causa graças ao entusiasmo de João Duarte Garcia e sua colaboradora Rosana Zaidan e sinto-me honrado de colaborar como colunista de ciência e Tecnologia com o apoio artístico de Alfonso Luciano nas ilustrações.

Infelizmente João Garcia faleceu precocemente, mas seu entusiasmo pelo jornalismo científico permanecerá como um verdadeiro exemplo para toda a mídia brasileira. Graças a ele consegui reunir essas crônicas em livro publicados pela Embrapa e agora me proponho a continuar honrando a memória do nosso querido João Garcia continuando a publicar essa coluna no nosso A Cidade.

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