sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Tratamento de AIDS: Hemobrás inicia operação em Pernambuco

Estatal do Ministério da Saúde recebe primeiro lote de plasma para produção de medicamentos contra AIDS

Reportagem feita para o Blog do Luis Nassif.

A Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia) inaugurou nesta quinta-feira (27), em Goiana (PE), o primeiro dos seis módulos industriais destinados à produção de derivados do sangue, como a imunoglobulina, usada em tratamentos para câncer e AIDS. A empresa estatal foi criada em 2004 por meio da lei nº 10.972, mas somente ontem recebeu o primeiro lote de plasma - o componente líquido do sangue - para a produção de medicamentos. Ligada ao Ministério da Saúde, a Hemobrás tem a missão de tornar o Brasil autossuficiente no setor de hemoderivados até 2014.

Instalada no Polo Farmacoquímico do município de Goiana, a cerca de 70Km de Recife, a empresa, orçada em R$ 540 mi, deverá fortalecer o complexo industrial da saúde no país e se tornar a maior fábrica de hemoderivados da América Latina, ocupando área superior a 45 mil metros quadrados e gerando 360 empregos diretos e mais de 2.500 indiretos.

O primeiro passo consiste na estocagem do plasma, a principal matéria-prima dos fármacos. “Do estoque no Brasil, o plasma segue para a França, onde será transformado em quatro tipos de hemoderivados: a albumina, a imunoglobulina e os fatores de coagulação VIII e IX, que são medicamentos atualmente cem por cento importados pelo governo federal”, explicou ao blogueiro o diretor de Produtos Estratégicos e Inovação da Hemobrás, Luiz Amorim. Depois, os produtos retornam ao Brasil, a preço de custo, e são distribuídos para a rede do SUS (Sistema Único de Saúde).

Mas quem pensa que a parceria entre os dois países mantém o Brasil na posição de mero fornecedor de matéria-prima, engana-se. A transformação do plasma estocado em hemoderivado será realizado pelo grupo biofarmacêutico francês LFB, nas cidades de Les Ulis e Lille, porém por pouco tempo e sob a condição de que a companhia transfira tecnologia ao Brasil.

Enquanto os outros cinco módulos da Hemobrás não ficam prontos, o que deve acontecer no ano que vem, a estatal continuará enviando plasma à Europa. Em 2014, o processo passa ser totalmente nacional, utilizando tecnologia de ponta.

Segundo informações da própria Hemobrás, o Brasil gasta, anualmente, aproximadamente R$ 800 mi em importação de hemoderivados, e apenas 15 países possuem fábricas de alta complexidade para a produção desse tipo de medicamento.

Para o presidente da empresa, Romulo Maciel Filho, além de economizar recursos, o governo federal pretende ampliar o acesso à saúde dos brasileiros, gerando, ainda, empregos e renda para a região Nordeste. Espera-se que até o fim de 2012, a fábrica receba 150 mil bolsas de plasma, recolhidas, inicialmente, de 115 hemocentros do país. Em 2013, serão 900 mil bolsas.

“Estamos estocando o plasma dos doadores brasileiros na câmara fria que oferece as melhores condições de armazenamento deste País”, declarou Maciel, em nota divulgada. Até então, a estocagem do plasma destinado à produção estatal de hemoderivados era feita em uma câmara fria alugada da iniciativa privada, em São Paulo.

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