sexta-feira, 28 de junho de 2013

As curas do professor Mozart

Clique na imagem para assistir ao vídeo.

Passeando pelo site do Banco de Conteúdos Culturais, uma iniciativa do Ministério da Cultura em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia e realizado pela Cinemateca Brasileira, me deparei com um filme de 1924, sobre as curas milagrosas do Professor Mozart - um médium espírita que atendia na Estação do Recreio, em Minas Gerais. A divulgação das curas mediúnicas do Centro Espírita de Recreio era feita pelo jornal Vanguarda, por meio do jornalista Rubey Wanderley. Em alguns casos, Mozart percorria hotéis, quando os doentes não podiam se locomover.

O vídeo mostra uma série de casos tratados pelo professor. A clientela de doentes apresenta os mais diversos problemas: "Tabes Dorsalis", "Tabes Spinalis" ou "encosto", paralisia parcial ou total, nefrite, "obsessão", "estado letárgico", epilepsia e "encefalite letárgica".

Mas chama atenção para uma passagem específica, quando é apresentado o caso de Adelino Barata. Que há muitos anos sofria de "Tabes Spinalis", segundo a ciência oficial, e de "Encosto", segundo o Professor Mozart

É interessante essa distinção entre conhecimento científico (a ciência oficial) e conhecimento não-científico, mas também especializado. Essa separação, que é atual, tenta colocar num plano superior o conhecimento que é legitimado pela ciência e, em outro, inferior, o que não pode ser explicado pela ciência tradicional. Trata-se da ideia equivocada, lebrada pelo filósofo Paul Feyerabend, de que "o que é compatível com a ciência deve viver, e o que não é compatível com a ciência deve morrer". 

Ainda segundo Feyerabend, "o pluralismo de teorias e concepções metafísicas não é apenas importante para a metodologia; é também parte essencial de uma perspectiva humanista".

Por isso me encanta esse "dar de ombros" do Professor Mozart em relação à ciência tradicional e racionalista. É como se ele dissesse: "para a ciência oficial, o senhor Adelino Barata tem "Tabes Spinalis", seja lá o que isso signifique. Para mim, é um belo de um Encosto. Passa para cá que eu curo isso e ainda mostro na frente das câmeras". É um enfrentamento e uma posição quase tão anárquica quanto a de Feyerabend. 





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