segunda-feira, 15 de julho de 2013

O conceito de proliferação, os blogs de ciência e o jornalismo colaborativo

Neste artigo que escrevi para o curso de mestrado do Labjor-Unicamp tento, por meio de uma abordagem teórica, desenvolver uma reflexão sobre o conceito de proliferação de teorias, desenvolvido pelo filósofo austríaco Paul Feyerabend, e o potencial que os blogs de ciência têm de reconfigurar a cobertura jornalística sobre ciência, ao estabelecerem canais pelos quais o leitor pode colaborar na construção do conhecimento. Não se trata de uma dissertação de mestrado, a qual defenderei somente no final de 2014, mas sim de um artigo pelo qual busco organizar alguns conceitos básicos que servirão de base para minha pesquisa daqui para frente. Além de Feyerabend, há contribuição também de Bruno Latour - para entender como a ciência racionalista separou natureza e política - e de Boaventura de Sousa Santos - para entendermos o atual estágio de transição da ciência moderna para a ciência "pós-moderna".

Desenvolvo a seguinte reflexão: o pensamento racionalista que perdura na ciência contribui para o distanciamento dela em relação aos conhecimentos tradicionais e os conflitos do debate político. Embora a aceitação da ciência enquanto apenas mais uma forma de se obter conhecimento tenha conquistado espaço nas últimas décadas, há ainda, na mídia especializada na cobertura científica, uma pouca abertura para o conflito de pontos de vista e uma forte resistência para se evitar o conflito de teorias e ideias. Ou seja, tenta-se ainda colocar as teorias "campeãs" dentro de redomas, estufas, para que delas se duvide o mínimo. Como se o pensamento científico não pudesse ser contestado, debatido, confrontado no campo da política científica. Defendo que o modelo trazido pelos blogs e pelo chamado jornalismo colaborativo subverte essa lógica ao criar condições para que haja uma proliferação de ideais, teorias e pensamentos, para além da pauta tradicional. 

Neste primeiro artigo, procuro fundamentos da filosofia de Feyerabend para sustentar algumas ideias. Nos próximos textos que virão, o objeto de estudo ficará mais nítido. O artigo pode ser lido abaixo, ou então o leitor pode fazer o download aqui




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