quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Os impasses da saúde mental

O Jornal da Unicamp traz uma matéria bem interessante esta semana, sobre o recém-lançado livro "Saúde Mental no contexto da realidade brasileira", fruto do doutorado de Aidecivaldo Fernandes de Jesus, médico psiquiatra da cidade de Paraisópolis, Minas Gerais.

Em 2005, ele foi convidado a implantar um serviço de saúde mental na cidade. A idéia era implantar um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Mas isso não saiu do papel, porque para um CAPS funcionar a cidade precisaria, na época, ter mais de 20 mil habitantes, de acordo com o Ministério da Saúde - e a população local não chega a isso.

No entanto, Aidecivaldo não se acomodou. Segundo a reportagem, ele resolveu montar um ambulatório multiprofissional em saúde mental, nos moldes do Programa Saúde da Família, do governo federal. O ambulatório cresceu e foram incorporados, nos últimos anos, um psiquiatra, duas psicólogas, uma terapeuta ocupacional, uma assistente social, três agentes comunitários da saúde, uma enfermeira, uma técnica de enfermagem, um administrativo e um auxiliar de serviços gerais. No total, são 11 profissionais.

O médico, então, teve outra idéia: fazer um diário coletivo chamado de "Dom Quixote", em referência à personagem criada por Miguel de Cervantes. Por um tempo, lá registrou suas reflexões e a dos trabalhadores (neste caso de forma anônima). Reuniu-se, assim, uma coleção de relatos. Naquelas páginas, estavam registrados dificuldades, problemas entre pacientes, sucessos, alegrais etc.

Em 2008, os registros serviram de base para sua tese de doutorado em Análise Institucional e Saúde Coletiva, na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. O trabalho virou o livro em questão.

“É praticamente unânime, há tempos, o reconhecimento de que uma atenção à saúde de qualidade depende do trabalho integrado de diferentes profissionais numa mesma equipe”, disse Aidecivaldo Fernandes ao Jornal da Unicamp. Ele usou o chamado método de pesquisa-intervenção, no qual todos foram participantes. E o resultado é uma nova proposta em saúde mental.

“O modelo de atendimento aos pacientes com transtornos mentais adotado em Paraisópolis é inovador e pode ser implantado em 70% das cidades brasileiras com menos de 20 mil habitantes. É melhor atender os pacientes próximo da casa deles a deslocá-los para outra cidade ou centro especializado”, disse o médico.

A reportagem completa pode ser lida aqui.

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