quinta-feira, 12 de março de 2015

Tempo e Ciência

Na semana passada, numa conversa com o professor Henrique Eisi Toma, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), ele lembrou de uma música do cientista e compositor Paulo Vanzolini, ex-professor da USP morto em 2013. A canção chama-se Tempo e Espaço, que o leitor pode ouvir e acompanhar a letra abaixo:




Tempo e espaço eu confundo,
E a linha de mundo é uma reta fechada.
Périplo, cíclo, jornada de luz consumida
E reencontrada.
Não sei de quem visse o começo
E sequer reconheço
O que é meio o que é fim
Prá viver no teu tempo é que eu faço
Viagens no espaço,
De dentro de mim.

Das conjunções improváveis
De órbitas instáveis
É que eu me mantenho
E venho arrimado nuns versos,
Tropeçando universos,
Prá achar-te no fim

Deste tempo cansado de dentro de mim.


* * *

Pedi ao professor Toma que enviasse um comentário sobre a música, que, segundo ele, fala sobre o tempo da ciência - um tempo que é diferente de outros:

É meio filosófico, mas acho que um cientista percebe bem, como as coisas mudam no relógio da vida. Quando fui desafiado a escrever um artigo sobre o tempo, na Revista USP de maio de 2009, eu encontrei essa música, escrita por esse renomado Professor da USP, grande biólogo e museólogo, e principalmente, músico. Esse artigo expressa o que encontrei no universo de dentro de mim. Hoje minha procura continua, reavivando as memórias de um tempo em que a Ciência tinha muito de arte, que brotava no Campus da USP, com aquele pessoal da FUNBEC, preocupado em levar Ciência para as bancas de revista, e encantar as crianças, os jovens e a sociedade. Hoje, nada disso restou. Mas, estamos de volta, com os “kits de Ciência”, para resgatar esse tempo, com meus amigos de luta, Professores antigos da USP, que vivenciaram esse tempo, como eu. Realmente, tempo e espaço são coisas confusas. Sequer reconheço o que é meio, o que é fim.

* * *

Os kits de ciência mencionados por Toma foram tema de uma reportagem minha na revista Pesquisa FAPESP, que pode ser lida clicando aqui.

Já o artigo ao qual o professor se refere, escrito por ele em 2009, segue abaixo.


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