terça-feira, 30 de junho de 2015

Entrevista: Helena Nader e a SBPC

Foto: Agência Brasil

A biomédica Helena Nader, professora titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi reeleita presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a entidade mais representativa da comunidade científica do país. Após cumprir dois mandatos como vice-presidente e dois como presidente, Helena Nader seguirá à frente da entidade até julho de 2017. Abaixo, um rápida entrevista que fiz com ela sobre essa nova etapa de sua carreira.

Para a senhora, qual o significado de um novo mandato na SBPC?
Acredito que representa o reconhecimento pelo trabalho que temos buscado desenvolver nos últimos anos à frente da SBPC. E esse reconhecimento representa, acima de tudo, uma grande responsabilidade no sentido de trabalhar cada vez mais pelo desenvolvimento da ciência no Brasil. Um trabalho árduo, cotidiano, pois a todo momento nos deparamos com ameaças de retrocesso, tanto pelo lado das políticas públicas, como nos riscos permanentes à manutenção de verbas e financiamentos previamente definidos.

Depois de dois mandatos como vice-presidente, e mais dois como presidente da entidade, qual avaliação a senhora faz de sua atuação à frente da SBPC?
Tivemos alguns resultados a comemorar nos embates sobre as políticas públicas de CT&I nos quais nos envolvemos ao longo desses anos. Posso citar, mais recentemente, a Lei de Acesso ao Patrimônio Genético, e outros como o novo Código Florestal Brasileiro, a Emenda Constitucional (EC) 85 de 2015, proveniente da PEC 290/2013 (PEC 12/2014, no Senado Federal), que alterou e adiciona dispositivos na Constituição Federal para atualizar o tratamento das atividades de ciência, tecnologia e inovação no País, e o novo Marco Legal da CT&I, ainda em definição no Congresso. Buscamos manter uma atuação permanente junto ao Congresso Nacional, fazendo o acompanhamento de projetos de lei que afetam direta ou indiretamente as áreas de educação, ciência, tecnologia, inovação e meio ambiente. 

Também acompanhamos de perto e participamos como representantes da comunidade científica de diversas comissões e conselhos de âmbitos nacional e estaduais, que tratam de discutir e delinear as ações públicas para esses setores. São o caso, por exemplo, do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), presidido pela presidente da República, o conselho do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), entre outros.

Nos últimos dois anos também buscamos realizar diversas mudanças no âmbito da própria SBPC, como a implantação de um grande projeto de recuperação da memória da entidade, a reformulação de nossos veículos de comunicação, sobretudo nas mídias digitais, a ampliação das secretarias regionais e do quadro de associados. Também demos início a um trabalho de cooperação internacional com nossas co-irmãs, como a American Association for the Advancement of Science (AAAS), dos EUA, a EuroScience da Comunidade Européia, e a Chna Association for Science and Technology (CAST).

O que a senhora espera do novo mandato? Quais serão as prioridades?
Vamos continuar atuando em todas as instâncias da esfera nacional para garantir que as ações voltadas para o desenvolvimento e o incentivo à educação de qualidade, à solução dos impasses que ainda permanecem nas principais universidades públicas do País, e à evolução da Ciência, possam acontecer. Queremos ver o novo Código Nacional da CT&I ser finalmente aprovado e implantado; o Plano Nacional da Educação (PNE) cumprir suas metas; as universidades públicas permitindo não somente o acesso cada vez mais amplo e democrático, mas também oferecendo um ensino de qualidade que garanta o acesso dos egressos ao mercado de trabalho.

Devemos também implantar o projeto de memória da SBPC, um banco de dados que poderá ser acessado por qualquer pessoa e que conterá a própria história da ciência brasileira, que está diretamente relacionada à história da SBPC nos últimos 67 anos. Vamos ainda criar novos veículos de comunicação para divulgar a ciência brasileira voltada para a mulher e para o meio ambiente.

Encerro lembrando que as nossas Reuniões Anuais, sempre no mês de julho, tem sido historicamente o ponto alto de encontro e de demonstração do que ocorre no País na área científica. Acreditamos que o sucesso do evento está em grande parte garantido pelos aspectos favoráveis da UFSCar e de seu entorno, como também pelo comprometimento imprescindível demonstrado, desde o início, pela equipe organizadora local, que envolve além da UFSCar a USP e Embrapa de São Carlos. O tema central da 67ª Reunião – Luz, Ciência e Ação – está estreitamente ligado ao Ano Internacional da Luz, proposto pela Unesco. Com a participação valiosa de colegas pesquisadores de todo o país, com destaque para pesquisadores da USP em São Carlos, teremos um conjunto de atividades relacionadas à luz como recurso próprio da natureza, como objeto da ciência e como instrumento para o bem estar da humanidade. Introduzimos, desde o ano passado, novas atividades para maior inclusão e envolvimento do público. 

Além da SBPC Cultural, Mirim, e Jovem, temos agora também a SBPC Indígena e o Dia da Família na Ciência. O primeiro é uma atividade similar às outras, com palestras e mesas redondas. Já o Dia da Família, no sábado, é a abertura da SBPC às famílias da cidade hospedeira, que são recebidas em visitas monitoradas nas tendas e nos estandes montados na Exposição de Ciência e Tecnologia – a ExpoT&C, uma mostra da qual participam as principais organizações de C&T do País.

Nenhum comentário:

Postar um comentário