quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Série: Jornalistas e blogueiros - Reinaldo José Lopes

Fim de mestrado, recomeço no blog. Na última sexta-feira (28), finalmente me livrei defendi minha dissertação no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Em breve, disponibilizarei aqui o PDF do trabalho, que tratou dos blogs de ciência no Brasil dentro de uma perspectiva do pluralismo metodológico.

Antes disso, publicarei uma série de entrevistas com alguns jornalistas de ciência com quem conversei durante minha pesquisa. Além de atuarem como jornalistas em grandes veículos de imprensa do país ou em outros setores, eles, assim como eu, também são blogueiros. O objetivo do papo que tive com eles foi entender um pouco quais são as diferenças entre escrever para um blog de ciência e escrever uma reportagem convencional para jornais ou revistas. Também discutimos o papel do jornalista-blogueiro em dar espaço para as controvérsias científicas em suas reportagens ou posts, entre outros assuntos.

A partir de hoje, publicarei uma entrevista por semana.

Crédito: acervo pessoal / Facebook
O primeiro entrevistado é o jornalista Reinaldo José Lopes, colaborador da Folha de S.Paulo, onde mantem o blog Darwin e Deus. Autor do livro Além de Darwin (editora Globo), Reinaldo é mestre e doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela Universidade de São Paulo (USP). Confira a seguir a entrevista com ele.


Blog do Bruno de Pierro - Darwin e Deus não é o seu primeiro blog de ciência, não é?
Reinaldo José Lopes - Não, já é o quarto, eu acho. Eu comecei na época em que eu estava no portal G1, da Globo, que tinha duas coisas: o Tubo de Ensaio, que era o blog coletivo da editoria de ciência, que eu, o Salvador e a Marília Juste fazíamos, todos juntos, e eu tinha a minha coluna semanal Visões da Vida, que na verdade era um blog que eu atualizava uma vez por semana, e que era sobre evolução. Quando eu estava para sair do G1 eu criei um de arqueologia no Science Blogs que está meio parado, que se chama Carbono 14. Já são três. Aí eu vim pra Folha. Tive um blog coletivo da editoria de ciência também, chamado Laboratório. O Darwin e Deus é o quinto blog que eu faço.

Qual foi sua principal motivação para ter criado o blog Darwin e Deus? Qual é o objetivo dele?
Em primeiro lugar, meu interesse pessoal pela intersecção dos dois temas, como católico praticante e entusiasta de ciência. Isso vem desde o G1, onde eu fazia uma seção semanal de reportagens chamada Ciência da Fé, que abordava justamente essa intersecção entre ciência e religião. Sempre senti que existe muito mal-entendido, muito preconceito e muita visão errônea sobre a relação entre as duas áreas. Eu queria mexer nesse vespeiro e tentar esclarecer o máximo possível as coisas e dissipar essa nuvem de preconceito e desinformação que existe sobre a relação entre os temas. Do ponto de vista puramente jornalístico, eu sei que são coisas que atraem muita atenção, dão audiência. E trabalhando na internet você precisa chamar público.

Que leitura o público faz do seu blog, tanto os pesquisadores quanto o público leigo?
A reação inicial das pessoas é de estranheza mesmo. E às vezes até de preconceito. Alguns cientistas que eu conheço são abertos e até elogiam, acham que eu faço um trabalho bacana, que é interessante, que a discussão é válida. Outros acham que não tem nada a ver, que eu estou perdendo o meu tempo ali tentando discutir crendice - o pessoal usa muito o termo crendice. Eles acham que eu perco meu tempo falando de crendice racionalmente ao invés de falar de ciência pura. É difícil quantificar, mas talvez seja 30% ou 40% de uma reação mais aberta e 60% ou 70% de uma mais fechada. Do público é pouca pessoa que acompanha o blog sempre. Em geral, quem cai lá é o paraquedista - o cara que viu a chamada do blog no UOL, clicou uma vez, mas depois não vai voltar. Se um post específico tenta dar uma visão mais aberta para a religião, quem é religião vai puxar meu saco e quem não é vai achar que eu puxo saco de religião ao invés de falar sobre ciência. E vice-versa.

Em ciência, você trabalha prioritariamente temas ligados à evolução?
Pois é. Hoje em dia está meio misturado. Se você pensar em ciências naturais, realmente meu maior foco é em biologia e evolução. Mas também lido bastante com arqueologia e mesmo história. Também com crítica textual, que é algo muito necessário quando você fala de manuscritos antigos, como a Bíblia. É esse o espectro: arqueologia, história e biologia.

Existe uma preocupação em se tratar a religião de uma forma científica?
Sim. Outra coisa que eu esqueci é que também falo um pouco sobre psicologia da religião, que é uma área que está crescendo muito ultimamente, como a psicologia do desenvolvimento, que estuda como crianças desenvolvem os conceitos de Deus e religiosidade. É um tema bastante importante. Eu tento trazer o olhar científico para o fenômeno religioso. Eu costumo brincar que sou metodologicamente agnóstico. Eu não quero provar que religião é verdade e nem desaprovar. Eu quero ver o que dá para pensar factualmente sobre isso. Também procuro mostrar a importância da religião como fenômeno cultural. Embora não se tenha comprovação factual dos fenômenos religiosos e nem nada desse tipo, ela traz também coisas importantes para a civilização que a gente tem no ocidente. Não se pode simplesmente jogar fora e dizer que é uma porcaria.

Além das questões da ciência, você tem a preocupação de dar um olhar um pouco mais aprofundado sobre a religião, sem aquela ideia simplista de que a religião é o ópio do povo?
Exato. Tantos anos que as pessoas falam isso e a religião ainda não acabou no mundo. Então é que tem alguma coisa além desse ópio.

Como você mesmo disse, você quis abordar essa temática no blog, que é uma coisa muito específica. Você acha que conseguiria trabalhar esse tema fora do blog e dentro de um sistema mais convencional de jornalismo? O formato blog é essencial para tratar esse tema?
Acho que ele facilita bastante. Minha formação é de jornalismo diário, basicamente. Jornalismo online também. Mas pensando em hard news, é difícil abordar essas coisas com frequência porque não é sempre que você vai ter hard news sobre isso. Tem pesquisa ainda sendo feita em várias dessas áreas que me interessam. Em biologia evolutiva, com certeza. Mas pensando na temática como um todo, tem muita pesquisa, mas tem pouca chance de eu lidar com o tema como hard news. No blog eu posso abordar coisas que são frias, mas que são relevantes, interessantes, importantes. No jornalismo impresso daria para fazer isso em coluna. Também tenho coluna no impresso do jornal. Tenho feito isso na minha coluna no impresso, mas com menos frequência, menos aprofundamento por conta do espaço restrito. O tamanho também restringe muito. Como os temas são muito complexos, falar deles em três mil caracteres é um pesadelo. No blog eu posso vomitar tudo o que eu quiser e aí consigo explicar as coisas.

Você não traz para o blog a preocupação de dar notícias, não é?
Ocasionalmente, se calha, se dá certo, é um bônus. Mas não é o essencial do blog.

Estou relembrando aqui alguns dos posts do seu blog. Num deles você falou sobre a questão de Galileu, dando uma visão de que talvez a Igreja não tivesse tanta culpa assim. É um tema bastante ousado para ser abordado dentro de um blog de ciência. Não só em blog, mas no geral. É um tema que para muitos cientistas já é consenso. Você se lembra de mais alguns posts que também tocam em pontos que ferem o ego do cientista?
Um post que tem uma temática parecida com o do Galileu é o que eu falei do Giordano Bruno. Usei o gancho da série "Cosmos", que estava estreando na televisão. O Giordano Bruno tem essa coisa de ser o grande mártir da ciência. É óbvio que é totalmente errado você pegar uma pessoa e queimá-la viva por qualquer razão. Independente do contexto cultural, acho que isso é uma coisa que todo mundo pode concordar que dá para condenar. O que as pessoas não veem é que quando você pega o que o Giordano Bruno fazia, ele era um mago do Renascimento. Ele não tinha nada de cientista moderno. Das condenações que a Igreja deu para ele, 90% foram por razões teológicas, não científicas. As pessoas não aceitam isso. O Salvador Nogueira, que hoje é meu melhor amigo, a gente acabou até “tretando” um pouquinho no Facebook por conta disso. Além do Giordano Bruno e do Galileu, não me vem nada na cabeça no momento.

Não sei se você concorda, mas os blogs de ciência, mais do que informar, têm essa função de fazer conexões.
Você tem razão. É uma coisa que os blogs podem fazer e que o noticiário dificilmente tem essa oportunidade. Uma outra coisa que rendeu bastante polêmica foi recentemente, quando fiz um post sobre os cinco mitos sobre as origens da Bíblia. Bater nos textos bíblicos é um dos grandes filões desse movimento ateu moderno. E tem muito mito por trás disso, como o de que a Bíblia foi o Imperador Constantino que inventou no século IV. Ou que é tudo manipulado e não dá para saber qual o texto original de jeito nenhum. Quando você pega o que tem realmente de pesquisa laica sobre o tema, você vê que tudo isso é bobagem. Tem uma tradição textual lá desde 200 anos antes de Cristo, pelo menos. Esse foi um dos casos em que muitos religiosos me aplaudiram e muitos ateus ficaram putos. Quando a coisa mexe com a convicção da pessoa, independente se ela é ou não religiosa, cada um agarra a sua e fecha os olhos para as evidências.

Você aborda questões que vão além do científico ou não científico. São temas que as pessoas acabam defendendo com uma certa paixão.
Não é "uma certa". É muita mesmo.

Você tem alguma preocupação em, por exemplo, fazer defesa da ciência ou mostrar que mesmo dentro da religião as coisas precisam estar provadas cientificamente? Ou em alguns casos você abre a mão do método científico para dizer que algo também pode estar certo, mesmo que não seja validado pela ciência?
Depende muito do tema que eu estou abordando. Tem que ser feita uma distinção entre o que você de fato pode testar e corroborar - comprovar a gente não pode dizer. Se eu tiver falando sobre teoria da evolução eu não vou falar que talvez o design inteligente tenha um ponto. Isso eu realmente não faço. O que eu já fiz foi abrir espaço para quem defende o design inteligente falar. Eu tento mostrar que existem coisas que são realmente difíceis de discutir. Tem coisas que são factuais, com as quais a gente não pode brigar; é até aí que a ciência consegue ir. Mas muitas vezes o que eu também falo é que a ciência não tem como avaliar e servir como cancela tudo. Existe uma certa arrogância nesse movimento neo-ateu de dizer que está comprovado que Deus não existe, que a vida não tem sentido, que o universo é aleatório. Quando você para pra pensar do ponto de vista racional e filosófico, não existe experimento que vá conseguir corroborar para você que as coisas são desse jeito. Eu, como uma pessoa de fé, procuro demonstrar que existem coisas que você nunca vai conseguir provar racionalmente. E aí você faz uma escolha por aquilo que você acha que é o certo, aquilo que você quer seguir e fazer. Mas admitindo o tempo todo que essa não é uma escolha racional e nem tem como ser.

Muitos dos autores de blogs que eu ouvi disseram que, num primeiro momento, a intenção era fazer uma tradução mais fácil da ciência. Na imprensa que cobre ciência no Brasil, de um modo geral, você acha que falta essa abordagem que relaciona a ciência com a cultura, que mostra a ciência dentro de um contexto? Destacando o seu blog disso tudo, como você vê a função do jornalismo de ciência no Brasil?
Eu acho que o seu diagnóstico está correto. E o que eu faço de reportagem muitas vezes padece desse mal de contextualização. A questão é que diante das deficiências de espaço, de tempo e dinheiro que a gente tem, falando no contexto nacional - mas se bem que nos Estados Unidos também é assim, tirando o New York Times, que ainda é uma ilha de gente que escreve sobre ciência no meio de um monte de coisa -, é difícil você conseguir fazer realmente uma coisa mais ampla e mais contextualizada. O espaço que eu tenho no impresso da Folha é de três mil caracteres. Isso equivale a uma folha de Word com fonte tamanho 12. Não dá para desenvolver uma coisa muito profunda nesse espaço. O que a gente consegue fazer é puxar esse viés numa matéria mais especial ou em cadernos como a Ilustríssima, da Folha, onde você tem mais espaço. No portfólio do caderno também cabe ciência, então dá para fazer isso um pouco. Ou realmente na internet, onde não tem limitação de espaço. No diagnóstico você tem razão. Mas para pensar na terapia a gente precisa de uma mudança muito grande no contexto industrial e econômico. Mas aí não falei das revistas também. É claro que a revista Pesquisa Fapesp consegue fazer isso. Mas são pouquinhos nichos onde dá para fazer a coisa. Esse é o problema.

As revistas Pesquisa Fapesp e Unesp Ciência têm um público extremamente focado, o pesquisador. Eu vejo que você e outros jornalistas que também têm blog às vezes pegam uma reportagem mais padronizada e depois, no blog, repercutem essa mesma reportagem dando outros desdobramentos. Esse é um caminho para que a matéria continue viva dentro de um outro contexto, no caso o blog?
Sim. No meu caso é um pouco de angústia também. Eu sofro de um pouco de síndrome de excesso de apuração às vezes. Você fala com um monte de gente, lê um monte de coisa e quando você vê não cabe nada daquilo. Você ficou com um monte de material na mão, material legal, interessante, rico. Com o blog, eu tenho onde enfiar esse monte de tralha. Mas não é muito grande a chance de quem leu a notícia no jornal depois acessar essa versão estendida na internet. São poucos leitores que fazem isso.

Qual é a matéria-prima do seu blog?
Depende muito do meu tempo e das ideias que eu tenho. Ultimamente eu tenho aproveitado bastante sugestão de leitor, principalmente com relação ao preconceito que existe com vários temas. Às vezes eu pego um comentário e desenvolvo como post, justamente para tentar contextualizar aquele preconceito que está fixo na cabeça do leitor. Tem também essa coisa de fazer as versões estendidas das matérias, mas não é o principal. Em geral, faço isso quando estou com menos tempo. Mas também é bacana de fazer. Artigo científico eu já usei bem mais. Ultimamente menos. Mas, na verdade, eu estou com uma pilha de artigos científicos super legais, que eu sei que não conseguiria abordar no impresso porque eles são muito específicos. Eu queria colocar no blog, mas ainda não coloquei.

Você tem um blog dentro do Science Blogs, apesar de estar bem parado. Gostaria que você comparasse como é ter um blog fora de um veículo de imprensa tradicional e um blog dentro do site da Folha. Eu acredito que a vantagem é esse contato mais próximo, mais direto, com os leitores.
Não sei se é uma vantagem, na verdade.

Quais as principais diferenças? Fale um pouco também sobre a sua relação com o leitor.
No G1 eu também estava dentro de um grande portal. Muitas vezes minhas colunas tinham chamada dentro da Globo.com. Eu já comecei acostumado com isso. No Science Blogs é esse público mais fechado. Aí voltei para o público grande quando fui pra Folha. Não sei se dá para comparar. Pensando em como os leitores reagem aos posts, a grande diferença, no fundo, é que quando você está num portal grande o tipo de comentário, de reação, é muito mais amplo, atirando para todo lado. No Science Blog as pessoas comentavam mais bonitinho, on topic, sobre o tema do post. A discussão é mais civilizada. Quando o post é num portal grande, é impressionante como as pessoas usam aquilo como caixa de ressonância pra qualquer tema que elas queiram falar no momento. Existe uma vontade de se expressar, de falar, então a pessoa vai falar de política, da violência no país, de diabo a quatro. E a relação com aquilo que você postou é muito distante. Acho que essa é a principal diferença, talvez. O blog é um veículo mais pessoal. Mas o cara está ali e acha que está no direito de te dar um soco na cara mesmo. Para a pessoa está tudo bem xingar sua mãe, falar que sua mulher dá para outro, pelos motivos mais estapafúrdios.

Chega nesse nível mesmo?
Direto! Já chegaram a me ameaçar de morte. No blog, eu costumava colocar "Siga-me no Twitter" ou "Siga-me no Facebook" e também um link para a página de Facebook. Aí esse cara me ameaçou de morte no Facebook. Agora eu deixo só "Siga-me no Twitter". Melhor não arriscar.

A que você atribui isso? Você acha que essa reação desses leitores é por acharem um absurdo alguém questionar a ciência? É uma motivação ideológica de defender a ciência a qualquer preço?
Eu acho que nesse ponto específico não é isso. Acho que o fenômeno é um pouco mais geral. Se você for moderar comentários de blogs de outros temas - de política, de economia - a situação não vai ser muito diferente. Eu não me sinto qualificado para diagnosticar com precisão. Não sou sociólogo. Mas a sensação é que não existe treinamento nenhum, nenhuma cultura para debate racional ou civilizado sobre nada. É tudo muito dogmático, muito na base da martelada, da porrada. E qualquer coisa que desafie o senso comum da pessoa, seja para um lado ou para o outro, tanto do ateu quanto do religioso, cria essa necessidade de revidar na voadora. Tem também a questão do anonimato da internet. A gente sabe que atrás de um teclado todo mundo vira herói. Eu realmente fico magoado com a coisa e vou lá e escrevo um e-mail para a pessoa. Às vezes não é só nos comentários do blog. Às vezes a pessoa manda um e-mail para mim. Minha resposta padrão é na maior humildade e mansidão possível. É o momento Sermão da Montanha, de oferecer a outra face. Curiosamente, quando a pessoa recebe esse e-mail ela responde totalmente macia. É nesse momento que ela se dá conta de que tem outra pessoa ali do outro lado. As pessoas não aprenderam a conversar mesmo. É um problema muito mais profundo que não se restringe somente ao jornalismo de ciência.

Qual é a mensagem que você quer passar com o blog?
A mensagem geral é que o mundo é complicado. O mundo é cheio de nuances. A gente não pode nem caricaturar a ciência como sendo a fonte da verdade absoluta, que resolve todos os mistérios ou vai resolvê-los num futuro próximo; e nem a religião, como sendo o ópio do povo. No meio desse caminho tem milhões de espectros e complicações, coisas interessantes que fazem as áreas conversarem uma com a outra, e que a gente precisa levar em consideração. Para a maioria dos seres humanos não dá para escolher um dos lados. Você vai ser um ser humano pior, mais pobre, menos complexo, menos interessante e menos compassivo, inclusive, se você for forçado a escolher entre uma coisa e outra.

Você costuma acompanhar os blogs de ciência do Brasil?
Já acompanhei muito mais. Hoje em dia bem menos, infelizmente.

Mesmo blogs que não estão vinculados a grandes veículos? Blogs independentes?
Eu não tenho lido com regularidade, sinceramente. Por incrível que pareça, talvez o blog que eu mais leia hoje seja o blog do Roberto Takata. Ele tem uns ângulos meio do senso comum, interessantes, divertidos. Ele faz uma espécie de jornalismo de dados sem ser jornalista. Tal como o diabo, ele tem o dom da ubiquidade. Ultimamente eu tenho lido pouca coisa na internet. Eu passo a maior parte do tempo lendo livros ao invés de ler blog, site ou qualquer outra coisa.

Em 2013, na internet, vários blogueiros de ciência levantaram questões sobre o esfriamento dos blogs de ciência no Brasil.
Vi por cima, inclusive no blog do próprio Takata.

Você acha que existe uma crise envolvendo o modelo blog de ciência? Muitos divulgadores de ciência na internet estão atuando diretamente no Twitter ou páginas de Facebook. Você acha que o modelo blog ainda é relevante? Ele ainda pode trazer algo novo ou a tendência é mesmo se desvincular desse modelo?
Difícil. Não sei se estou qualificado para fazer um diagnóstico. Certamente a rede social drena muito tempo e energia de todo mundo hoje. Drena inclusive tempo para postar, para pensar em posts. Mas eu não vejo as redes sociais substituindo os blogs quando a questão é profundidade. Eu tendo a achar também que é uma coisa meio geracional. Blog é uma coisa que você faz no seu tempo livre e, conforme você envelhece, seu tempo livre encolhe. Se você tem uma família e tem filho, seu tempo livre some. Eu já fui muito mais atuante na comunidade brasileira de fãs de Tolkien, por exemplo. Hoje em dia eu não consigo porque virei adulto. Muitos dos blogueiros de ciência de meados do ano 2000 estão agora prestando concurso para virar professor na universidade. O pessoal está casando, tendo filhos, etc. Óbvio que eles vão postar menos. E outras pessoas vão assumir o lugar deles. A impressão que eu tenho é que a gente está numa entressafra. Mas posso estar enganado.

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