terça-feira, 27 de outubro de 2015

Série: Jornalistas e blogueiros: Herton Escobar

Crédito: Arquivo Pessoal / Facebook
O quinto post da série de entrevistas com jornalistas de ciência que também são autores de blogs é com Herton Escobar. Jornalista d'O Estado de S.Paulo desde 2000, Herton é autor do blog Imagine só!, hospedado no site do jornal. É um dos poucos blogs de ciência no país a dar mais espaço para temas de política científica.


Blog do Bruno de Pierro - Você escreve em blog de ciência há quanto tempo?
Herton Escobar - Desde 2008. O Imagine só! começou naquele ano.

Como se deu sua estréia num blog de ciência? Foi um convite do jornal ou foi você que propôs?
Foi uma iniciativa minha. Naquela época já existiam alguns blogs do Estadão, mas bem menos do que hoje. Não me lembro quantos, exatamente. Nasceu de um desejo meu de ter um canal alternativo para desaguar algumas ideias e conteúdo que não tinham espaço no jornal impresso. Isso inclui coisas bacanas da ciência, que não são necessariamente notícia. Elas não entravam no noticiário, mas eu achava legal e queria escrever a respeito delas. Também tinha ali umas ideias, uma coisa mais do dia a dia. Eram coisas que estavam livres das amarras do noticiário.

Escrevendo num blog de ciência, você podia escrever sobre assuntos que a própria ciência e o jornalismo de ciência poderiam deixar em segundo plano?
Era mais coisa de ciência básica. Não era notícia, não era do hard news, algo que justificasse escrever uma matéria para o jornal. Mas eram temas que tinham algo de curioso. A primeira descrição do blog era algo como "As maravilhas científicas do universo a nossa volta". Tinha uma proposta de explicar, por exemplo, o que são as estrelas. Tinha um componente de educação, mas não necessariamente atrelado a algum estudo novo ou alguma notícia. Podia ser só um tema que eu achasse legal e quisesse escrever.

Quando você começou com o blog, você já tinha um bom tempo de jornalismo. Houve alguma dificuldade no início? E o que você notou de mais latente em termos de linguagem? Você teve que se livrar de vícios do jornalismo? Pôde explorar uma linguagem mais pessoal?
A linguagem do blog é bem diferente da linguagem de um noticiário. Ela é muito mais flexível, muito mais personalizada. Você não precisa ter necessariamente um lead e pode desenvolver algo mais narrativo. É mais soft também. Você não tem a necessidade de entrevistar ninguém para ter aspas e diferentes pontos de vista. Eu vejo como um espaço de articulista, porque teoricamente eu posso escrever o que eu quiser. Quando você é repórter e blogueiro ao mesmo tempo, você precisa ser cuidadoso pra que o que você escreve no blog não comprometa sua imparcialidade como repórter.

Dê um exemplo.
Eu sempre cobri muito células tronco embrionárias e os transgênicos. É claro que eu tenho minhas opiniões pessoais sobre todos esses temas polêmicos. No blog, a gente pensa em escrever tudo o que quer, mas várias vezes tive que me segurar e fazer uma auto-censura para não comprometer minha imparcialidade como repórter do Estadão. Ao escrever reportagens, eu tenho minha consciência limpa de que consigo separar minhas opiniões pessoais do trabalho de reportagem. Mas se você escancara isso no blog, é inevitável que isso seja cobrado de você. Por mais que você faça o trabalho de maneira imparcial, você dá pano pra manga para as pessoas questionarem o seu trabalho.

E essa relação com o jornal? Eu vejo que às vezes você desdobra o tema de uma matéria que saiu no jornal no seu blog. Acho um modelo interessante, que mantém a notícia viva através do blog. Esse desdobramento no blog, mais pessoal, gera alguma tensão dentro do jornal?
Não. O jornal nunca me perguntou ou cobrou nada a respeito do blog. Eles simplesmente me deram o espaço e só. Eu nunca fui cobrado, nem questionado, nada. Eu sempre toquei isso de uma maneira muito independente. Se eu fosse um repórter de política ou de economia, que lidasse com temas mais sensíveis nessas áreas, existiria um olhar mais atento do jornal com relação ao conteúdo. Eu sempre fui muito independente também na minha cobertura pelo jornal, pelo fato da ciência não ser um tema que as pessoas dominam por natureza e não ser tratada como prioridade dentro da imprensa. O jornal sempre confiou muito no meu trabalho e me deu autonomia quase total. Nunca houve uma interferência de instâncias superiores para orientar a cobertura de uma forma ou de outra, nem no jornal e nem no blog.

Como você define hoje o perfil do seu blog?
No início a ideia do blog era fazer uma coisa mais light, quase uma coisa de educação científica. Mas, com o passar dos anos e com o agravamento da crise do jornalismo impresso, com os cortes nas redações e redução do espaço, na medida em que meu espaço no jornal foi reduzindo, o blog foi mudando de perfil. Ele se transformou num blog de notícias, com uma linguagem um pouco mais agradável, um pouco mais flexível do que a linguagem que eu uso para escrever uma matéria para o jornal. Mas ainda é uma linguagem de notícia, em que eu entrevisto pessoas, em que coloco pontos divergentes e tal. Isso foi um pouco triste para mim porque não era o que eu queria originalmente com o blog, mas ele acabou tendo que preencher um buraco que ficou a partir do momento que o espaço para a cobertura científica no jornal foi sendo reduzido. Hoje eu não tenho liberdade quase nenhuma para expressar opiniões pessoais no blog. Agora é um espaço de notícia, que, por um motivo ou outro, eu não consigo colocar no jornal.

Você acha que nesse espaço você consegue apresentar a ciência de uma maneira diferente de como ela é apresentada no noticiário em geral?
Sim. Sinto que eu consigo fazer um trabalho jornalístico melhor no blog do que no jornal por uma questão de espaço. Quase todas as matérias que eu coloco no jornal vão para o blog em uma versão ampliada, na qual eu consigo elaborar melhor algumas coisas. Pela limitação do espaço no papel, você precisa apresentar as coisas de uma forma muito seca. E tratando de ciência, para o público em geral, você está falando sobre coisas que não fazem parte do dia a dia das pessoas. A notícia científica precisa ser explicada; ela não pode ser apenas dada, como uma matéria de metrópole, que envolve polícia, transporte ou ciclovias. Você não precisa explicar para as pessoas o que é uma bicicleta, mas você precisa explicar o que é um cromossomo. Não se pode dar a notícia sem explicar. Claro que não precisa transformar a matéria num livro didático, mas você precisa ter um pouco de contexto. No impresso é difícil fazer isso, porque o espaço que você tem é limitado e é um espaço para você dar a notícia; não dá pra ficar dando muita explicação. Eu sinto que no blog eu consigo fazer matérias mais completas. Sei que existe ali um limite também, do attention span, então eu também não fico escrevendo que nem um louco tudo o que eu quero. Mas eu consigo escrever um pouco mais do que no jornal e acho que esse pouco a mais deixa as matérias mais completas. Acho que elas podem ser compreendidas melhor. Também consigo encaixar uma opinião adicional, contra ou a favor, ou uma analogia. Dá para encaixar alguns componentes adicionais que deixam a matéria melhor.

Como você mesmo disse, a ciência é algo não muito presente no dia a dia das pessoas. Por causa disso, podemos pensar que é uma área mais difícil de ser criticada. Você acha que o jornalismo científico é crítico o suficiente em relação à ciência?
Não. Acho que o jornalismo científico no Brasil é muito pouco crítico. Ele questiona pouco e aceita resultados de uma forma muito fácil. Não digo isso dos jornalistas mais especializados, mas da mídia como um todo, de forma geral. Em sites como o UOL e o Terra, por exemplo, que não têm uma equipe mais especializada, como no Estadão e na Folha, você vê a incapacidade que os repórteres têm para questionar alguma coisa. Se você dá uma notícia de ciência para um jornalista que não tem uma formação científica, ele não tem como questionar nada. Nem ele mesmo entende. Existe uma carência no Brasil de jornalistas qualificados na grande imprensa ou, vamos dizer, na imprensa de massa. Acho que os editores e o público mesmo têm uma expectativa de que a ciência faz coisas legais, que é uma coisa benéfica. Claro que ela é. Mas a cobertura de ciência é vista como uma coisa positiva, que traz notícias legais. Quando você faz uma reportagem de ciência que traz uma notícia negativa parece que destoa do que as pessoas esperam da ciência. Talvez por causa disso, mesmo que inconscientemente, os jornalistas tendam a se focar nos aspectos positivos e acabam deixando passar coisas que precisariam de mais crítica.

Vejo no seu blog um espaço para tratar assuntos referentes à política científica, com posts sobre indicadores cienciométricos, por exemplo. Recentemente você escreveu também sobre a má conduta científica. Eu gostaria que você avaliasse essa sua postura de tratar desses temas delicados.
Eu já me vi tendo uma visão muito romântica a respeito da ciência. Já me vi sendo muito inocente. Percebi que eu precisava ser mais crítico e questionar mais, de uma maneira mais incisiva. Embora a ciência seja uma profissão, digamos, mais idônea e os cientistas tendam a ser pessoas corretas, que dão opiniões baseadas em dados, é uma atividade humana, feita por seres humanos, e dentro dela também existem as malandragens, existem as pressões para você fazer sensacionalismo, existem disputas políticas. Isso foi meio um choque para mim. Eu comecei a ter um olhar mais atencioso para essas questões e comecei a escrever um pouco aqui, um pouco ali. E quanto mais você escreve, mais você se aprofunda na coisa e as pessoas começam a te ligar, a te mandar informações. Isso foi atraindo fontes. Foi uma realização pessoal minha. Eu percebi que a ciência tem o seu lado ruim - não sei que adjetivo usar aqui. É uma atividade humana que tem as suas falhas e os seus problemas, como qualquer outra. E essas falhas não estavam sendo cobertas e eu assumi a responsabilidade de ir atrás disso. Mas é um negócio difícil. Na maior parte do tempo, no jornalismo científico, você está lidando com coisas positivas. A ciência busca melhorar a vida das pessoas, então você está sempre lidando com coisas bacanas. É difícil sair dessa rotina e um dia ter que ligar para um cientista, que é uma pessoa super respeitada, e fazer perguntas duras. A cobertura do caso do Rui Curi foi super difícil e agora a do Mário Saad também. Eu pego o telefone para ligar com cuidado triplicado, pensando muito no que eu vou falar. Porque o que eu vou escrever pode ter um impacto muito sério na carreira de uma pessoa.

Além do espaço que o blog te proporciona para escrever sobre falhas da ciência e tudo mais, você acha possível apresentar a ciência como um campo do conhecimento que não consegue explicar tudo e que às vezes depende da articulação com outras formas de conhecimento? Você acha que um blog de ciência também tem que dar espaço para essas outras vozes?
Não, acho que não precisa. Eu acho que pode. É um espaço onde isso pode ser encaixado. Mas não acho que precisa. O blog, apesar de ser um espaço mais personalizado, de opinião pessoal, ainda precisa ser pautado pelo método científico. Vai variar de caso para caso, mas, por exemplo, eu fiz uma entrevista uns anos atrás com um cara que era acho que de Oxford. É um matemático que é um criacionista famoso. Ele veio dar uma palestra na Universidade Mackenzie. Eu fui lá e fiz uma matéria. Saiu uma página inteira, com foto, e alguns pensadores ficaram bem chateados e me escreveram perguntando como eu podia dar espaço para um cara desses. Meu argumento foi que, por mais que eu discorde do cara, é uma linha de pensamento que existe, que está aí, sendo discutida. Eu não posso deixar de cobrir esse debate e de dar voz a essas pessoas só porque eu discordo e porque não tem aí uma base científica. Mas é algo que eu mesmo me questiono. Será que como repórter de ciência eu deveria ignorar esse tipo de coisa? Eu deveria ignorar os ambientalistas que são contra transgênicos? Acho que você não tem que ignorar, mas você precisa cobrir de uma maneira que fique claro para o leitor que aquilo não é uma opinião majoritária. Se você faz uma matéria sobre mudança climática, você não pode colocar uma aspa de um cientista do IPCC e uma aspa de um Climate Denier. Porque aí fica parecendo para o leitor que é uma visão fifty-fifty, ambas com o mesmo peso. Não é correto ignorar essas ideias críticas, mas você precisa inseri-las na sua matéria de uma maneira que fique claro para o leitor que são minorias. No blog você pode dar um espaço maior do que numa reportagem no jornal, mas sempre seguindo as regras do bom jornalismo e da boa ciência.

Você costuma acompanhar blogs brasileiros? O que você acha deles de um modo geral?
Não. Os que eu acompanho mesmo são os blogs do pessoal da Folha - do Maurício Tuffani, do pessoal de ciência da Folha. Mas isso não é por nenhum preconceito com os outros. A palestra que eu dei aqui na Flórida foi bastante focada nisso. Com essa revolução digital que vem acontecendo, com essa transformação do jornalismo para o meio digital, tem tanta informação, tem tanto blog, tanto site, tem tanto tudo, que o que temos é muito ruído no sistema, um negócio que está me deixando louco. Eu estou tendo uma dificuldade muito grande de me manter atualizado. Muito mais do que eu tinha antigamente. Sinto que o meu trabalho está muito mais difícil. Eu passo muito mais tempo online e eu me sinto muito menos informado do que eu era antigamente. É muita informação. E as informações boas, as ruins e as irrelevantes estão todas misturadas. Só para peneirar esse conteúdo é uma coisa que consome muito tempo. Várias vezes eu me pego horas na internet e, no fim dessas horas, eu absorvi muito pouca coisa. Eu simplesmente não tenho tempo de olhar esses outros blogs. Eu olho os da Folha, porque é o meu concorrente direto e eu estou acostumado a olhar.

Isso se estende a blogs internacionais também?
Sim, sim. Se estende a tudo, na verdade. Ler o próprio Estadão é difícil. Essa proliferação das mídias digitais, especialmente para o jornalista de ciência, que precisa cobrir tudo em ciência, está tornando quase impossível que você se mantenha atualizado sobre tudo o que está acontecendo. O número de canais aos quais você precisa estar atento é muito grande.

Você acha que isso se deve a essa fragmentação? Antes havia poucos veículos para medias essas informações e agora você tem agências, institutos, grupos de pesquisa que montam um blog. Você falou sobre um aspecto negativo dessa pulverização de várias vozes. Mas você acha isso positivo para o desenvolvimento da própria ciência? Como essa produção toda pode ajudar a própria ciência?
Para a ciência e para o público leitor é uma coisa boa, porque você tem muito mais informação fluindo, disponível, e isso vai chegando via redes sociais ou sites de notícias, via jornal. As pessoas vão ser expostas a mais informações científicas do que elas costumavam ser. Para o jornalista, que é obrigado a se manter atualizado, que precisa acompanhar tudo o que está acontecendo, se tornou muito mais difícil. Antes eu acompanhava Nature, Science e mais umas três ou quatro revistas científicas. Tinha ali o canal EureKalert, o canal da Folha, a Veja, o New York Times. Você tinha um grupo restrito de canais que você precisava acompanhar. Mas hoje você tem muitos cientistas que têm blog, Twitter, etc. As instituições têm canais de comunicação muito mais eficientes. A informação está espalhada por todos os lados. Eu tenho que seguir blogs, tenho que seguir a revista Pesquisa FAPESP, a Agência FAPESP, Agência USP, Unicamp. Todas essas fontes de informação, que antes eram canalizadas em alguns poucos canais de comunicação, hoje não precisam mais desses canais e fazem uma divulgação autônoma. Isso pulverizou as informações de uma maneira extraordinária. Para o repórter, ficou mais difícil acompanhar o que está acontecendo porque é impraticável você estar atento a todas essas revistas, todos esses jornais, todas essas universidades, Twitter, Facebook, etc.

Os veículos que você citou no início - Nature, Science, EureKalert - continuam sendo, pelo menos para você, as principais fontes de informação ou já existem canais mais novos que competem de igual pra igual?
Os canais dos grandes journals - EureKalert e Nature - não são necessariamente a principal fonte de pautas para mim, mas eles são a leitura mais obrigatória. Se eu tiver que ler uma coisa eu vou ler isso. Eu não posso abrir mão de saber o que está saindo nas principais revistas científicas. Eu não deixo de acompanhar as revistas. Não importa o que eu for escrever, eu preciso estar atualizado sobre a fronteira da ciência.

A matéria-prima para o blog é o contato direto com as fontes ou da leitura desses canais pontuais?

Hoje eu diria que é a partir desse contato direto com as fontes. De um ano pra cá eu tenho escrito pouco no blog. Meu último post já deve fazer quase duas semanas, por conta de uma sequência de viagens. A partir do momento em que o blog assumiu um caráter de notícia, escrever para o blog é tão difícil e consome tanto tempo, é um investimento intelectual e de tempo tão grande quanto fazer uma matéria para o jornal. Provavelmente mais, porque sou eu que tenho que encontrar foto que não tenha direitos autorais, eu que tenho que formatar o texto, eu mesmo tenho que tentar montar o gráfico. O blog dá um baita de um trabalho. Se fosse um blog com aquele caráter inicial, de linguagem mais simples, de divulgação científica, seria muito mais fácil. A partir do momento em que eu começo a escrever no blog sobre temas mais pesados, como integridade científica, eu não posso escrever uma matéria sobre o Mário Saad e em cima desse post ter um post sobre alguma coisa banal. Eu dei para o blog um caráter de blog de notícias sério. Isso para mim é difícil porque eu não posso escrever notinhas rápidas e botar coisinhas bonitinhas e fotinhos de bichinhos, porque isso iria descaracterizar o blog e seria ruim para minha reputação como jornalista.

Você acha que vem crescendo o interesse em se fazer um jornalismo de ciência que fuja um pouco do padrão focado em curiosidade e no simples prazer de se saber algo que não se sabia? Acha que existe uma vontade de se aprofundar mais?
Nos blogs que eu acompanho, que são os blogs da grande imprensa, eu não percebo dessa forma. Eu percebo o contrário: o blog sendo o lugar para você falar abertamente e criticar algumas coisas de uma maneira que não se pode fazer numa reportagem. Eu vejo quase o oposto do que você descreveu. A não ser que você veja eu dar a minha opinião pessoal como uma forma de aprofundamento. Pode ser que os blogs de fora da imprensa, os blogs de não jornalistas, não repórteres, tenham esse perfil que você descreveu. Mas eu não tenho como opinar porque eu não acompanho de uma maneira muito frequente.

Algo a acrescentar?
O meu blog sempre foi e continua a ser um grande desafio para mim. As pessoas vêem o blog como uma coisa que você escreve o que vem na cabeça e uma coisa muito mais simples de ser feita do que o trabalho de um jornalista tradicional. Mas eu sempre encarei o blog como um espaço sério e de qualidade. Para mim é uma coisa muito desafiadora: fazer um blog que tem um conteúdo muito qualificado e que atraia audiência. O blog fica mais exposto à audiência, a uma cobrança por audiência. Quando você publica algo no jornal impresso não existe uma cobrança do jornal em saber quanta audiência gerou a matéria. Mas o sucesso de um blog é julgado pelo número de compartilhamentos que ele gera. Ou número de cliques e tal. Para gerar muito clique e compartilhamento você tem que fazer coisas chamativas, que não necessariamente casam com um conteúdo de qualidade, mais crítico e tal. Eu tenho tido dificuldade com isso: fazer um blog de sucesso, em termos de audiência, mas sem abrir mão da profundidade e da qualidade do conteúdo.






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