sexta-feira, 10 de junho de 2016

A dança dos fantasmas e Derrida

Ghost Dance (1983)do diretor britânico Ken McMullen, é um filme experimental sobre as concepções de fantasmas, passado e memória. Cinema, psicanálise e filosofia formam a base conceitual do filme, que mistura imagens do mar, de cidades, sons e tensões.




A ideia de que fantasmas são a memória de algo que nunca esteve presente está na obra, que traz em cena o filósofo francês Jacques Derrida em interação com a atriz francesa Pascale Ogier.

Ogier pergunta a Derrida: você acredita em fantasmas?

"Você está perguntando a um fantasma se ele acredita em fantasmas. Aqui, o fantasma sou eu", responde o filósofo.

Derrida interpreta a si mesmo, em um filme improvisado, não-linear. E logo argumenta: "o cinema é a arte dos fantasmas. É a arte de permitir que os fantasmas retornem".

Em entrevista publicada em 2001 na revista Cahiers du Cinéma, intitulada "O cinema e seus fantasmas", Derrida mostra a relação de sua ideia de fantasma com a desconstrução metafísica. Um Karl Marx que ainda assombra o contemporâneo, o presente, está no imaterial, ainda que tenha uma materialidade.

O filme - o cinema - evoca fantasmas no espectador. São assombrações, associadas ao modo como cada um retoma imagens, cenas que tocam, sensibilizam. Nisso, o cinema se aproxima muito da psicanálise.

"O cinema mais a psicanálise é igual à ciência dos fantasmas", diz Derrida. "Freud teve de lidar com fantasmas durante toda a vida".

Derrida depois correlaciona a comunicação epistolar com a comunicação telefônica e as telecomunicações. "Acredito que o desenvolvimento de tecnologias modernas em telecomunicações não vai diminuir o reino dos fantasmas. Acredito que os fantasmas são parte do futuro. As modernas tecnologias associadas às imagens aumentam o poder dos fantasmas e a habilidade de nos assombrar".






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